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"se tu sabes que é tua e de amor esta carta
sem nome, de amor encantada,
teu nome preso no minuto calmo
escrito em perfume no ar com as mãos do espírito;
se tu sabes que és tu a 'minha cara',
és tu!"
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30.9.08
O nome dele é Gino Aristi O rapaz em questão é meu primo. Filho da irmã de meu pai. É um cara legal que eu conheci somente quando fiz 15 anos. É, porque quem tem família em outro país, o esquema é o seguinte: em datas consideradas importantes pela família cristã, um representante peruano sempre vinha fazer as vezes dos meus consangüíneos. E, no meu debute, o enviado foi Gino: rapaz de 30 anos, solteiro, flautista e muito gente. E fora que ele era bem entusiasta da cultura brasileira e só queria falar aquele português meio índio-japonês, sempre queria estar por dentro dos problemas da minha família, e apareceu como um grande conselheiro de meu irmão até então considerado problemático. Eu posso dizer, sem exagero e sem medo de parecer piegas, que a minha tão distante e arquitetada relação com a minha família peruana divide-se em antes de Gino e depois de Gino. É sim, porque depois de Gino, eu comecei a me interessar por saber quem era Fernando ou como era a Sara ou porque a Mamata se chamava Mamata. E ele contava de Alícia, Nellie, Yolanda, Norma, Pablo, Rafíto, Géral, Caíto, e eu queria saber também de Tio Pablín, da Tia Pílar, da Llita, da Rosana, ufa, era tanta gente que só eram nomes pra mim, e que não vou mentir, ainda muitos são só nomes, mas eu fiquei sabendo um pouquinho deles e a curiosidade me comia por dentro.
Eu lembro muito bem quando ele foi embora da primeira vez (sim, ele foi e voltou várias vezes). Ele estava visivelmente triste porque estava deixando o Brasil. Ia voltar pro Perú, pra vida dele lá. Lembro que não se despediu direito da família Montalván Rabanal. Quando voltamos do aeroporto, papai havia encontrado uma carta que ele havia deixado no armário dele logo antes de partir com um expresso pedido no envelope: "Por favor, leer solamiente con todos juntos". E papai, seguindo as instruções, reuniu os seis na mesa e começou a ler. Ay, gente, eu não sei dos meus irmãos ou dos meus pais, mas eu lembro que me debulhava em lágrimas...parecia uma novela mexicana, era uma frase que papai lia e era um nó na garganta que eu tentava não desmanchar. E era uma carta enorme com direito a um parágrafo pra cada integrante da família. Resumo da ópera: o moço havia entrado no coração de cada um daquela casa.
No ano seguinte, fui pro Perú e até lá nossa relação já tinha se estreitado ainda mais. Com o passar do tempo, minha relação com ele ficou um pouco tumultuada, muito em razão de eu morrer de ciúme dele. É, cara, sou de escorpião e isso é uma coisa horrível que habita meu coração. Se eu pudesse escolher entre não ter celulite e não ter ciúme, eu escolheria não ter ciúme. Bem, voltando, tinha ciúme dele com meu irmão que visivelmente roubava todas as atenções de todo o povo peruano com aquele maldito charme e espontaneidade, com aquela sem noçãozisse dele que lhe era tão peculiar. Eu era apenas a irmã, a sobrinha, a neta, a prima. Mas, bem, eu acho que me enganei, porque ele gostava de mim, sim. Até hoje, porém, eu ainda acho que ele gosta mais de meu irmão, mas, eu deixo pra lá, porque ninguém é perfeito, né.
Em 1999, num sábado à tarde, toca a campanhia de casa. Era Gino. Como assim? Gino? Gino Aristi? Com mala? Vem morar aqui com a gente em Aracaju? E vai largar a vida dele lá no Perú? E porque não avisou? Ah, já tinha fechado o consultório lá. Vendido o carro, os equipamentos de dentista e ia começar do zero em Aracaju, a melhor cidade do mundo. E lá veio Gino, o sétimo integrante da família. Sorvete de morango todo dia. Conversas longas todo dia. Birra com a toalha molhada em cima da minha roupa duas vezes por semana. Acarajé que ele não comia porque achava nogento. Foi tudo lindo. Acontece que a vida não é como a gente quer, mesmo. De fato. É duro, mas é a verdade. Ele foi embora, mas com a promessa de que ainda volta um dia. E de vez.
E porque caralho eu tô falando dele? se eu soubesse, eu não estaria aqui escrevendo, sabe...mas eu sei que comecei a pensar muito nele esses dias, lembrei que eu criei a minha conta no msn pra falar exclusivamente com ele. E hoje ele é uma pessoa rara de eu encontrar on line. Tá demorando pra eu me reencontrar com ele. E emails, cartas, afins não são mais enviados ou respondidos. Não culpo ninguém, acho que é assim mesmo que a vida acontece, mas o que eu acho mais legal é que eu sinto o mesmo carinho, a mesma saudade de anos atrás. Acho que é assim que as coisas andam. Não importa muito o contato físico, o eu te amo diário, ou o saber-de-todos-os-seus-passos. Não mesmo. O que importa é que a gente se revê um dia e que nesse dia a gente vai rir, eu vou contar a minha história, vou passar horas falando dos meus amores, querendo saber se ele acha que eu deixei de ser aquela menina geniosa e mimada e eu vou querer escutar tudo dele, das histórias de amor dele, dos seus desencontros, do seu pai...eu não vejo a hora.
postado por Mrs. John Murphy
16:58
8.9.08
where thrills are cheep and love is divine ou eu vou roubar você pra mim
postado por Mrs. John Murphy
16:25
1.9.08
Que beleza. Que lindo! Tô pagando a minha língua como eu nunca imaginei que eu pudesse um dia pagar. Cara, isso é muito bom, viu. Sério mesmo.
postado por Mrs. John Murphy
12:44
5.8.08
vixe maria Porque quando eu andava, eu me policiava a sempre seguir com a barriga pra dentro e a coluna ereta. Isso era só uma artimanha pra me sentir ao menos mais altiva. Ah, mas meu amigo me dizia que não tinha como: eu era sem pescoço. E além de ser sem pescoço, eu não era legal. Me sentia totalmente desajeitada me relacionando com as pessoas. Ah, as relações humanas: malditas. Lembro que via um monte de gente e de coisas que passavam por mim e eu não podia tocar, cheirar e sentir. Tudo era tão distante. Tão longe. Nunca ia ser meu. Nunca ia provar. Nunca, nem sonhando. Mentira, vai, porque eu sonhava, sonhava tanto que a melhor parte do meu dia era a noite em que eu ia me deitar e ficar sonhando esperando o sono chegar, me dando uma trégua pra eu sossegar. O sossego era o meu sono e os sonhos acordados. Talvez tenha saído dessa muito sem acreditar no que estava acontecendo, talvez tenha visto tudo como uma fuga, mas foi uma fuga boa, uma fuga que me trouxe descobertas, juntamente com frustrações, mas, ó, o que me trouxe de bom, de lindo eu não posso medir. Ia ficar aqui um parágrafo falando somente no superlativo sintético e eu acho isso o uó. Ah, eu pude tocar, cheirar e sentir. Eu pude quase morrer de amor, quase morrer sem amor, quase morrer querendo amar. Eu pude. E meu Cocholate, meu chapa das antigas, acompanhava meu sono mais sereno.
Hoje, eu sonho ainda, sonho com caminhadas, com silêncios que não incomodam, com um carinho tão grande que sou partidária da idéia que não se deve sentir tanta coisa assim porque parece que o coração sai pela boca, sonho com queixas infundadas, com cobranças, sonho com notícias de última hora, sonho com o barulho do vento batendo no meu ouvido a caminho da praia, sonho com o sol quente que esquentava sem queimar e com a água morna a se fazer de berço para os nossos corpos suados. Eu sonho com revistas grandes, com banhos demorados, com cochilos no chão. Sonho com pão com queijo, vitamina de banana e manteiga aviação. Sonho com a cerveja gelada, com pernas se cruzando enquanto se assiste a um filme. Sonho com o abraço caloroso que dá vontade de morar nele. Sonho com a palavra vóvó, feromônios e saudade. Sonho com o cansaço, com a espera romântica, com a espera sexual, porque, com toda venia, discordo de Vinicius, eu não sou purinha entre as marias-sem-vergonha. Sonho com sustos que me deixavam sobressaltada, sonho com a calma que me invadia e eu achava isso tudo muito estranho. Sonho com fotos antigas, com cartas antigas, com emails antigos. Sonho com sorrisos, com choros que eu provoquei, com choros que eu consolei, com choros de alegria, de saudade e de birra. Sonho com mudanças, sonho com água de coco. Sonho com aventuras que nunca tive. Sonhos com aventuras que ainda vou ter. Sonho com uma tarde de segunda em que não existia mais razão de se estar na terra. Sonho com uma noite de domingo em que o que eu mais queria era viver mais pra poder sentir toda aquela alegria novamente. Sonho com passeios com cadela. Sonho com plantas. Sonho com a preguiça de ver gente. Ai, sonho também com ciúmes, com arrependimentos, com paranóias. Sonho com sonhos loucos, absurdos. Sonho que fiz mais bem do que mal. Sonho com a minha casa longe daqui. Sonho com toalha azul. Sonho com um mar de céu azul. Sonho com risadas, com descobertas, com ansiedade, com segredos, com músicas...
postado por Mrs. John Murphy
06:21
23.7.08
massa! Contrariando a mocinha aí do lado, eu voltei a gostar de tomar sopa. A sopa bem quente, pelando a língua, pra demorar bastante. E, pode parecer meio "putz, como tu tá véia", mas tem sido a melhor parte do meu dia. É na hora da sopa quente e bem lenta que eu relembro do que fiz durante o dia, do que eu não fiz durante o dia e fico tentando prever se terei o melhor dos sonos dos mortais logo mais. Tomo a sopa do lado do meu pai quase sempre, ele calado vendo a morena Fátima do jornal e eu tomando sopa olhando pra TV, sem observar nada da tela. É, eu tô véia mesmo, porém bem alimentada e feliz.
postado por Mrs. John Murphy
20:26
14.7.08
Sunshine makes me high # 2
postado por Mrs. John Murphy
21:00
30.6.08
...a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada. Aqui, na minha casa, só tem pó. Poeira. Daquela cinza que gruda no corpo, deixa a pele áspera, opaca e sem vida. Não há banho de sol que melhore o seu aspecto. Não há água sob o corpo que a deixe mais suave. É como se a poeira quisesse ocupar todo o espaço aqui dentro da minha casinha e eu, cada vez mais, abrindo as portas pra ela. Bem aqui, na minha casa.
postado por Mrs. John Murphy
19:28

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